Seg. Empresarial

Publicado em janeiro 22nd, 2015 | by Editorial De Seguranca.com.br

Assimetria, doutrina e inteligência estratégica: Aplicando a Guerra Assimétrica nos negócios

Trabalhar com assimetria tem sido muito constante ultimamente. Nada hoje em dia tem sido de poderes similares, todos os organismos que funcionam em determinada sociedade, atuando entre si, tem poderes iguais e todas dependem umas das outras, poder publico, privado, leis, economia, etc. A guerra assimétrica parte de princípios que os atores participantes têm diferentes poderes, e entre si, lutam por seus interesses. Mas para trabalhar com conceitos de forças armadas dentro dessa diversidade de poderes dentro de empresas e ainda assim manter os conceitos clássicos da administração deve-se entender o que é guerra assimétrica.

Guerra Assimétrica é um conflito entre dois ou mais atores de vasta diferença de capacidade, em que os beligerantes podem diferenciar sua essência no embate, interagir e explorar cada um suas características de fraqueza. Este conceito se deu a partir do momento em que os atores que tomam parte da guerra não são exclusivamente militares, têm atores de todos os níveis da sociedade. Enquanto a Guerra Assimétrica compreende um vasto escopo de teoria, experiência, conjectura e definição, também implica na premissa que lida com o desconhecido. Quanto mais diferente o oponente, mais difícil antecipar seus atos.

“Na guerra assimétrica, os atores não são por muitas vezes identificados no campo de batalha, portanto, deve ser observado por um todo, desde o poder militar até civis envolvidos e tecnologia utilizada”

 

Na guerra assimétrica, os atores não são por muitas vezes identificados no campo de batalha, portanto, deve ser observado por um todo, desde o poder militar até civis envolvidos e tecnologia utilizada. Nesse cenário há participação de civis, civis armados, imprensa, tecnologia de informação, atuando diretamente na guerra, influenciando decisões políticas. Em termos operacionais, a assimetria deriva uma força de implantação de novas capacidades que a oposição não tem vigor de perceber ou entender.

Após definir Guerra Assimétrica, deve-se entender como um grupo que opera em ordem assimétrica deve se preparar, para isso, busco o conceito do Asymmetric Warfare Group, do exercito dos Estados Unidos criado na Guerra ao Terror.

Aqui tratarei exclusivamente de sua função núcleo.

O Asymmetric Warfare Group do exército americano tem como funções chaves:

  • Advertir pessoal operacional, tanto aconselhando como prestando uma assistência de pré-implantação de métodos e cenários para derrotar ameaças atuais e emergentes.
  • Identificar lacunas de capacidade, já visando exigências futuras do exercito, deve haver analises dos ambientes operacionais e identificar possíveis falhas na capacidade, além de futuras zonas de conflito.
  • Desenvolvimento de soluções, feito de maneira rápida com transição imaterial e contramedida material, criando vantagens táticas e operacionais em favor das operações unificadas.
  • Auxiliar na integração DOTMLPF, integração que visa Doutrina, Organização, Treinamento, Material, Liderança e educação, Pessoal e Instalações.

Trabalhando em cima da integração DOTMLPF, as empresas hoje em dia estão por muitas vezes fora de um contexto do cenário em que se encontram, exatamente por não estarem integradas de tal forma, nem possuírem um setor especifico que integre seus valores, materiais ou não.

A ideia é adaptar as funções de administração clássica e a assimetria das organizações no mesmo ambiente, reconhecendo a capacidade financeira e publicitária que empresas maiores têm; e a legislação que muitas vezes favorece empresas menores, assim, cada uma dentro de sua capacidade, utilizar a estratégia para antecipar e negar a força do oponente, através de suas vantagens. Neste caso:

  • Doutrina estaria ligada a missão da empresa, a lei interna que descreve sobre as atitudes dos funcionários, garantindo seus valores e visão.
  • Organização e como a empresa esta organizada, hierarquia, sua cultura.
  • Treinamento esta na integração dos funcionários, uma constante serie de simulações e dinâmicas de grupo.
  • Materiais são os recursos utilizados, quais meios que a empresa tem disponível para atingir seus fins.
  • Liderança tem a ver com o papel do líder em gerenciar sua equipe, motivando seus subordinados, integrando-os  e educação vem a ser estar em constante atualização, buscando conhecimento e sendo o multiplicador deste para os demais, com a equipe toda integrada.
  • Pessoal e todo o efetivo, trabalhando juntos cada um com sua função, tendo pessoal reserva para substituir em suas tarefas quando necessário.
  • Instalações são o espaço físico da empresa, cada setor dividido com sua liderança, ambiente otimizado para o trabalho de forma que a equipe sinta-se confortável para trabalhar.

“lidar com o inesperado exige rápida adaptação à situação real”

Segundo Ancker, lidar com o inesperado exige rápida adaptação à situação real, ao grau que se a doutrina torna-se excessivamente perspectiva, torna-se irrelevante. Para ser efetiva, a doutrina deve criar flexibilidade de pensamento e ação; deve estar predicada no desconhecido e não atada a solução de problemas; deve ser constantemente revisada em todos os níveis e; deve capitalizar nas vantagens assimétricas.

Conhecendo o ambiente de atuação

Conhecer o ambiente que a empresa deve atuar e prevenir qualquer possível perda, tanto física quanto econômica. Por exemplo, se a empresa atua na área de logística, o conhecimento de rotas é fundamental para evitar ao máximo a perda de material ou atrasos. Trabalhar com licitações requer conhecimento de lei, cumprimento de normas, prazos, evitando a perda de tributos.

Cada empresa tem um tamanho e uma expressão na área em que atua, essa disputa dada de forma desigual deve ser toda pautada, conhecer as próprias fraquezas e o ambiente em que atua faz com que todos os possíveis erros sejam previstos com antecedência, assim conhecer o nome do adversário no mercado, possibilita traçar estratégias que evitem uma disputa desfavorável.

O trabalho da inteligência é fundamental para exercer essa posição, trabalhar com precisão nos dados, informação, avaliação de riscos, antecede qualquer problema, formula cenários desfavoráveis ou não e suas possibilidades, desta forma, trabalhar em cima dos mais favoráveis. Apesar da diferença na condição das empresas, uma organização menor pode antecipar qualquer ação de uma maior, fazendo com que se garanta o sucesso.

No meio militar o uso de abreviação Cx faz com que direcione uma integração que parte de comando e controle.

Existem ferramentas que trabalham integrando ações diversas na empresa, com essa integração de pessoal e setores. No meio militar o uso de abreviação Cx faz com que direcione uma integração que parte de comando e controle. Atualmente a empresa passa a trabalhar com uma série maior, além do C2. Ela deve estar integrada na comunicação, informação, aquisição de alvos, reconhecimento, não sendo mais um termo apenas militar. O C3I, por exemplo, que trabalha com Comando, Controle, Comunicação e Informação é uma estratégia para o sucesso da empresa, assim como o trabalhar com C4IS que agrega computadores e sistemas de simulação.

Este tipo de estratégia não é exclusiva do meio militar, pode-se adaptar ao meio corporativo buscando a otimização dos resultados.

Uma empresa deve estar atualizada quanto às exigências de mercado, capacidade de difundir sua área de atuação, possuir vantagens competitivas e inteligência estratégica. Tratando dos estratagemas utilizados por ela, a empresa pode variar sua estratégia, no caso:

  • Comandar e controlar (C2) fazem parte do exercício da autoridade de um comandante, alguém que seja capaz de designar funções a um arranjo de pessoal, equipamentos, comunicações, instalações e procedimentos.
  • Computadores e comunicações são tecnologias que servem para transportar a informação, armazenar dados. Dois agentes facilitadores do C2.
  • Inteligência é o produto da coleta, integração, processamento, análise, avaliação e interpretação das informações disponíveis.
  • Simulação é importante para que a empresa trate de situações reais com treinamento constante, cada vez mais buscando em menor gasto de tempo e energia na resolução de problemas.

Conclusão

Um dos maiores problemas que as empresas enfrentam hoje em dia está em não ter um profissional qualificado para tratar com seus assuntos, não ter um pessoal de inteligência qualificado, o vazamento de informação e não filtrar informação, estes são problemas graves e comuns que fazem com que muitas empresas não sobrevivam no mercado.

Inteligência estratégica e C2 são ferramentas essenciais para que uma organização possa criar um mecanismo de integração e capacitar sua equipe para estar apta a competir no cenário em que atua.

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[1] Irregular Warfare Centre – http://www.irregularwarfare.org/CofE.html – Acessado em 13/06/2013.
[2] ACKER – C. J. – Doctrine for Asymmetric Warfare. Military Review. 2003. P. 18.
[3] SKELTON, I – America’s Frontier Wars: Lessons for Asymmetric Conflict. Military Review. P. 23.
[4] Grupo parte do exército Americano. Criado na Guerra Contra o Terror é um grupo de aconselhamento do exército, que visa dar suporte em escala global ao exército, garantindo capacidade de sobrevivência do soldado e efetividade do combate, prevendo e derrotando ainda qualquer força emergente.
[5] Doctrine; Organization; Training; Material; Leadership and education; Personal; Facilities.
[6] ACKER – C. J. – Op. Cit. 2003. P. 25.

Autor:

Bernardo Guerra Lobão, Analista de Relações Internacionais, especializado em segurança internacional. Editor do periódico http://guerraassimetrica.blogspot.com.br

Leitura recomendada:

Livro – FUNDAMENTOS DA INTELIGENCIA COMPETITIVA
Coleção: INTELIGENCIA COMPETITIVA, V.1
Autor: FERNANDES, FERNANDO
Autor: MENDES, ANDREA
Autor: MARCIAL, ELAINE

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