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Publicado em setembro 16th, 2017 | by André Coutinho

Moral e Ética – Conceitos e reflexões

Nas relações humanas na sociedade, permeiam dois conceitos que representam comportamentos bons ou maus. Ao longo do tempo, esses conceitos representados como ética e moral têm-se apresentado, às vezes, como sinônimos, mas, apresentam diferentes significados.

Ética, expressão de origem grega entendida como interioridade do ato é, na concepção de Ferreira (2000), feminino substantivado derivado do adjetivo ético, aplicada no estudo dos juízos de apreciação que se refere à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativo a determinada sociedade, seja de modo absoluto para qualquer tempo e lugar, quer para grupo e/ou pessoa. A moral, termo de origem latina, no sentido substantivo implica em codificação de regras, leis, normas, valores e motivações que governam o agir e a conduta humana.

Pode-se dizer que a ética são ações tomadas em relação a si mesmo. Já a moral, não é inata ao homem. Foi com o surgimento da sociedade que nasceu a moral.

Pode-se dizer que a ética são ações tomadas em relação a si mesmo. Já a moral, não é inata ao homem. Foi com o surgimento da sociedade que nasceu a moral. Esta tem como essência valores que a sociedade verifica em certas condutas, elegendo normas que irão nortear as condutas de cada indivíduo em relação ao outro dentro desta mesma sociedade.

Tratam-se, portanto, de termos distintos não só quanto à etimologia, mas também quanto ao sentido. Moral tem sua origem no latim (m oralis, ou“mos”, consoante alguns escritores), enquanto ética origina-se do grego (ethike ou “ethos”, segundo os mesmos escritores) (AULETE, 2010).

Segundo Carvalho (2012), etimologicamente a palavra ética (ethos) é uma transliteração de dois vocábulos gregos: hqoz (ethos) que significa morada do homem, e eqoz (ethos) que significa comportamento que resulta de um repetir os mesmos atos.

No primeiro significado, temos o sentido de abrigo protetor, onde o homem encontra um estilo de vida e de ação no espaço do mundo o qual ele se acostuma com sua morada, passível de aperfeiçoamento, surgindo assim, o costume.
Em seguida, com o segundo significado, temos o ato como uma constante que manifesta o costume, em outras palavras, o ato do indivíduo, fazendo-se surgir o hábito. Tendo em vista que tanto o costume quando o habito são construídos, não podemos perder de vista seu processo histórico e adequar seu significado ao respectivo momento.
O mesmo autor diz ainda que estes dois vocábulos nos levam a perceber que o espaço ético humano se instaura no reino da contingência, isto é, naquilo possível, naquilo que pode ser necessário, ou naquilo livre e imprevisível, porque se dá dentro de possibilidades e probabilidades.

Já do ponto de vista da Filosofia, a ética é uma ciência que estuda os valores e princípios morais de uma sociedade, sendo que cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética.

O campo da moral tem uma amplitude maior que o da ética e origina-se nos costumes, apresentando contornos diferentes para os diferentes povos e épocas.

Da cobrança da moralidade ou dos costumes é que surgem os posicionamentos éticos. Assim, entendemos que a moral não pode ser tida como ciência, enquanto que a ética o é, porque esta cria e consagra os princípios básicos que devem reger a conduta, os costumes, e a moral dos homens (SODRÉ, 2014).

Goergen (2012) remete ao fato de que, atualmente, muito se tem falado sobre a moral, uma vez que os problemas morais têm assumido dimensões assustadoras na sociedade contemporânea.

Na visão de Puig (1998, p. 29), este coloca a formação moral como um processo mediante o qual os sujeitos recebem da sociedade o sistema de valores e normas vigentes. Entretanto, esses valores e normas, muitas vezes, podem ser impostos com ―uma força alheia à sua consciência e à sua vontade, que lhes são impostos com a autoridade que emana de uma entidade social superior aos indivíduos e que exerce influência e pressão sobre eles.

A ética e a moral têm sido então, preocupações constantes de toda a sociedade que quer aperfeiçoar a relação pessoal de seus componentes.

Cada sujeito ao agir tem um motivo que o leva para um determinado resultado ou fim. O motivo é o aspecto relevante do ato moral. Acrescenta-se a este, sem dúvida, a consciência e a liberdade. A consciência e a liberdade são a base do ato moral. Exemplo moral em que o fim não justifica os meios. Foi cometida uma grande injustiça com um companheiro meu. Para fazer justiça vou agredir, espancar e amordaçar o agressor, ou seja, vou fazer justiça com as próprias mãos.

Hoje, fazer justiça com as próprias mãos é considerado um ato moral inaceitável. Para fazer a justiça tem-se o Estado, autoridades legalmente constituídas. O resultado almejado e o fim são dados pela consciência do sujeito, sem coação, voluntário para ser considerado um ato moral.

Sendo assim, nos tempos atuais é muito comum confundirmos ética e moral, e, muitas vezes, não fazemos distinção dessas palavras, obtendo, portanto um tratamento igualitário entre estes dois conceitos.

Conforme relatado no decorrer deste texto, ética é a ciência que estuda o comportamento moral dos homens na sociedade. Já a moral é definida como o conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que norteiam o comportamento do indivíduo no seu grupo social. A moral é a pratica da regulamentação ética do indivíduo em sociedade, porém, de certo modo, impõe normas a este indivíduo, como um sistema normatizador, partindo da premissa que, não existe moral individual, pois ela é sempre social no que envolve as relações entre os sujeitos.

Dessa forma, a ética não nasce com o indivíduo, pois isso é repassado, e assim transmitido tal preceito, a ética estará incorporada a este indivíduo, manifestando somente o seu querer, aquilo que é justo, correto para este que detêm o poderio ético. Já a moral na escola se apresenta por meio de regras, normas a serem cumpridas.

Há de se considerar, sempre, é que não existem normas acabadas, regras definitivamente consagradas. A moral sofre transformações, principalmente quando submetida à reflexão realizada pela ética.

 

REFERENCIAS

CALDAS AULETE, “Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa” – 2a edição
Brasileira, 2010 – Editora Delta S.A.

CARVALHO, L. C. L. M. de. Ética e Cidadania. 2012
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000, p. 214.

GOERGEN, P. Educação Moral: Adestramento ou Reflexão Comunicativa. Edu. Soc. Vol. 22 no. 76. 2012, Campinas.
PUIG, J. M. A construção da personalidade moral. São Paulo: SP; Ática, 1998.
SODRÉ, Ruy de Azevedo – “Ética Profissional” – LTR, 2014, p. 62.

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Editorial

André Coutinho

é graduado em Gestão de Segurança Privada e Pós graduando em Gestão Política e Planejamento Estratégico pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra – ADESG-BA.




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